Projetos conduzidos pelo Grupo mARTE

Coleções e acervos de arte popular no Nordeste Brasileiro

Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 44/2024 – UNIVERSAL
Vigência: 2025-2028

O projeto propõe compreender qual arte popular um conjunto qualificado de instituições museológicas públicas assimilou em suas coleções matriciais, a partir do final dos anos 1930. Para tanto, faz-se necessário um mapeamento histórico e a constituição de um inventário crítico, operando transversalmente três categorias da produção artística dita popular: a escultura figurativa (madeira e cerâmica), os ex-votos e a produção xilográfica em doze instituições museológicas do Nordeste.

Tais instituições compõem dois grupos distintos a partir de seus modelos de gestão. A produção artística concernente a cada acervo será investigada tanto em sua individualidade histórica, quanto em sua transversalidade com outras coleções públicas ou privadas. Para tanto, partimos da premissa da emergência de modelos formais como orientadores na constituição das coleções, modelos interdependentes de valores identitários, sociais e raciais; cujo impacto deu-se graças ao crescente do colecionismo na região Centro-Sul, o que corroborou a constituição das coleções museológicas, que privilegiaram obras de autoria individual em detrimento das obras anônimas e comunais na constituição das coleções.

Graças à constituição de uma rede de pesquisadores e colaborados de três regiões do país, a pesquisa foca no mapeamento e constituição de um inventário crítico, na análise das obras, por meio de visitas técnicas, coleta de fontes documentais institucionais, revisão de literatura crítica, matéria de imprensa, entrevistas e a constituição de grupos focais.

Esperamos produzir significativas contribuições por explorar temática pouco abordada no Brasil: a constituição de acervos públicos de arte dita popular na região Nordeste do Brasil, pois tais coleções podem explicitar jogos e interesses de colecionadores privados, implicam na difusão de modalidade artística, cuja formação está implicada com a história da patrimonialização da arte no país, e a formação de redes institucionais regionais e nacionais.

Nela, como procuramos demonstrar, convergem assuntos de variadas áreas, como História e Crítica de Arte, História das Coleções e do colecionismo, Museologia, especialmente gestão de acervos. Espera-se que o trabalho final possa contribuir para o fortalecimento de uma História da Arte em que os aspectos políticos, sociais e históricos sejam também relevantes, sem desconsideração pelas obras colecionadas.

Trata-se, portanto, da ampliação e consolidação de um campo de estudos tradicional, mas negligenciado pela historiografia da arte nas últimas décadas, por meio de metodologia consolidada, e que tem potencial para gerar novos conhecimentos na medida em que auxiliará na revisão crítica das narrativas sobre a produção, circulação e recepção da arte no período investigado e, consequentemente, na revisão dos cânones estabelecidos dentro e fora das instituições selecionadas.

Integrantes: Anna Paula da Silva (UFBA/mARTE); Bianca Andrade Tinoco (CBHA/mARTE); Daniela Felix Martins Kawabe (UnB/mARTE); Fernanda Werneck Côrtes (mARTE); Mariana Estellita Lins Silva (UFMA/mARTE); Neila Dourado Gonçalves Maciel (UFS/mARTE); Pedro Ernesto Freitas Lima (UnB/mARTE)

Colaboradores:
Everardo Araujo Ramos (UFRN); Fabíola Cristina Alves (UFRN); Jancileide Souza dos Santos (UFOB); Vanessa Barrozo Teixeira Aquino (UFRGS); Raisa Filgueira Soares Gomes (UnB)

Bolsista ATP:
Sabrina Strasser

Obra de Mestre Vitalino no acervo do Museu do Homem do Nordeste. Foto: Emerson Dionisio Gomes de Oliveira (2019).

Protocolos de musealização de ações performáticas em museus públicos de arte

Chamada CNPq/MCTI/FNDCT 18/2021
Faixa A – Grupos Emergentes, edital Universal
Vigência: 2021-2025 (concluído)

O projeto visa à produção de protocolos para musealização de obras/ações performáticas em museus de arte públicos brasileiros. Para tanto, o Grupo mARTE prevê o mapeamento das práticas que orientam políticas aquisitivas, do histórico de musealização e de práticas existentes de preservação de ações performáticas nessas instituições.

À vista do caráter instável das obras de arte da performance e dos desafios de sua musealização, sobretudo para políticas de aquisição dos museus, a proposta busca oferecer instrumentos às instituições e apresenta a viabilidade de musealização dessa linguagem. Tais protocolos serão constituídos por meio do desenvolvimento de guias práticos depositados em repositório digital. Para tanto, buscamos ofertar orientações para:

[1] identificação da obra (documentação);
[2] plano de conservação;
[3] plano de ativação (contrato e questões jurídicas), quando for o caso;
[4] histórico das ativações, quando for o caso.

Protocolos no contexto brasileiro

Pesquisas anteriores realizadas pelos membros do Grupo de Pesquisa Musealização da Arte justificam a necessidade de abordar o problema para musealização dessas obras/ações diante das limitações de recursos das instituições. Assim, diante do contexto brasileiro, investigaremos estratégias de criação de protocolos específicos para a musealização e arquivamento de práticas performáticas a partir de pesquisas de experiências brasileiras e estrangeiras.

Ainda, em pesquisas prévias do grupo constatam-se a chave de análise da performance a partir da noção de efemeridade; das dificuldades de acordos para ativação das obras nos museus; e dos desafios de adequação dos processos de preservação à linguagem. Para a execução do projeto, serão realizados revisão de literatura sobre práticas de preservação; entrevistas com especialistas; seminários temáticos para debater processos de arquivamento, legislação pertinente (direito autoral e patrimonial) e políticas de aquisição; visitas técnicas a acervos; e criação de protocolos consultivos de preservação.

Integrantes: Daniela Felix Martins Kawabe; Anna Paula da Silva; Monique Batista Malgadi; Emerson Dionísio Gomes de Oliveira; Fernanda Werneck Cortês; Bianca Andrade Tinoco; Juliana Pereira Sales Caetano; Pedro Ernesto Freitas Lima; Renata Cardozo Padilha; Mariana Estellita Lins Silva; Magali Melleu Sehn.

Performance Bori, de Ayrson Heráclito

Bori – Oferenda à Cabeça (2008-2022), de Ayrson Heráclito. Performance na coleção  da Pinacoteca de São Paulo. Crédito: Daniela Félix.